Ditos e inauditos infantis
Os risos das quintas sempre foram um incômodo pra minha tia. Minha tia, esposa do irmão do meu avô - meu namorado não acredita nesses graus de parentesco, mas pra mim o que vale é a convivência - era uma destas pessoas com as quais convivi durante uma fase da infância que eu posso chamar de fase inventiva. Eu tinha grandes idéias, os pais geralmente não gostavam muito. Poderia ter-me desenvolvido uma cientista, mas os padrões comuns de comportamento feminino de uma classe abaixo da média na época não permitiam, e isso nos anos 90! De qualquer maneira, sempre ri muito na quinta-feira, acho que desde criança foi um dia da semana bom, nem tanto pela chegada do final da semana, pois nesta época no máximo o que eu fazia era ir pra escola e brincar, mas sempre fui mais feliz nas quintas do que qualquer outro dia da semana. As razões? Sei lá, devo ter nascido numa quinta-feira. Mas, quando eu chegava à casa dos meus primos - de terceiro grau decerto - eu sempre estava muito empolgada. Eles topavam minhas idéias e juntavam as deles, é claro, e tudo parecia novo, mas não um novo como o de hoje, neste contexto global e idade da vida pós-pós-adolescente moderna massificada e consumista, mas algo de original, de fantasia e segredos autônomos. Como reinventar o ventilador, cultivar uma sociedade de insetos articulando suas sociabilidades, exterminar lagartas, desenvolver tecnologias de comunicação noturna telepáticas, criar atalhos no mato, desmontar máquinas e remontá-las de outra forma, criar alfabetos, símbolos... Era tão bom, por isso eu ria, mesmo quando era proibido. Não só na quinta-feira, mas sempre que este entusiasmo de inventar coisas, minúsculas e significativas para a ciência infantil surgia. Então, sempre que percebo minha alegria das quintas, lembro da frase dela: “Quem ri muito na quinta, na sexta chora”. Nunca entendi, mas sempre que estou muito feliz na quinta-feira, aguardo a sexta-feira com receio de que algo ruim pode acontecer.
posted by ariane batista at 21.10.09
O corpo na forma do espelho
Girando como uma galinha de boteco no domingo
Nádegas quadrada, coluna um pouco curva...
Sedentária?
Cem células falidas!
A beautiful woman.
posted by ariane batista at 21.10.09
Empresta-me tua prosa
tuas ninfas enforcadas
tuas mãos afinadas
permita-me livrar
desse embolorado código padrão
posted by ariane batista at 19.10.09