o táxi afundou na lama, suave como tropecei na merda.
[autoria: ariane + cledison + serginho]
posted by ariane batista at 21.12.07
MM
Pouco medo nós sentimos
Dos espíritos da guerra.
Do invisível.
Pouco medo nos resta do horror.
Tememos pouco os filmes de terror.
Que é o medo da morte?
Queremos mais,
A prova do controle do medo.
Amnésia
Banalização
Descrença
Certeza.
posted by ariane batista at 16.8.07
Coquetel
Induzida pela faina,
Pela ascensão.
Induzida pelo hábito,
Pela razão.
Induzida pela certeza indiferente.
Esconde o corpo
Ameniza a ação
Viola a alma.
Que veneremos este tempo que nos constroe!
Quer seja ele quem nos reduz.
É tão fácil ter o domínio e tão difícil o intenso de si.
posted by ariane batista at 4.8.07
Expressionada
Já pensaram como seria se vivêssemos embriagados?
Surpresa a cada milímetro ato!
Porém, também, não sei se seria bom
Mas, é engraçado pensar.
Um animal, um olhar, uma música então!
Portas que se abrem.
Seríamos o excesso
Seríamos o nexo
Seríamos puros sexo!
Dançaríamos, riríamos e choraríamos.
Daríamos porrada, socos e pontapés.
Pelo menos eu, aprenderia a brigar.
E quem julgaria se fossemos todos bêbados?
Quem iria dirigir?
Digam-me, o que mais não se pode fazer quando está embriagado?
Ou melhor, quanta coisa a gente se permite fazer?
Declarar-se. Isso é importante. O amor que emana do bêbado
É tão belo quanto o amor sacrificado dos beatos.
Sem risos.
É o amor expansivo, devasso, humano.
Meu amigo. Gênios, artistas, as pessoas legais são bêbadas.
É embriagado que somos frutíferos.
Seríamos punidos por isso?
posted by ariane batista at 4.8.07
De ti gosto eu
É quando minhas geleiras derretem
Transbordando as lágrimas pela bochecha
posted by ariane batista at 17.12.06
Me entrego a um dilema sem tema, onde a rima me azucrina, como faço jus ao que satura é a noite a única que me atura, então digo logo o que tenho a dizer. Os pés frios endurecidos enraízam-se no chinelo, constatação após constatação, ruídos fabricados. Uma informação a pouco liberada, correu tresloucada em busca de fundamento, colidiu. Enfim, tudo planejado, resta-me desperdiçar palavras e zelar o tesão. Nada é agradável em si.
posted by ariane batista at 17.12.06
O Eleito
Joaquim Salvador dos Passos quase não sorria,
nada falava, quase não cuspia.
Joaquim fez o que seus pais sonharam,
fez o que o mundo melodiava, mas ele
não fez o que queria.
Este homem perdeu-se de si, este homem vai
revirar o mundo.
Grogue, trabalhador, pontual.
Joaquim é ansioso. Candidatou-se a Deputado Estadual.
posted by ariane batista at 5.9.06
Mata Mama
Te amo crua
Valente
Dos pés a cabeça, amo.
Essa nudez durante
horas da noite.
Escorrendo a faca repentina.
Duvida a mama pois,
Ama morna.
Móvel cigana
Mata Nua.
Mata Hari.
Mata Mama.
posted by ariane batista at 5.7.06
LOLA
Lola a Bela.
Lola acorda, caminha.
Lola ama?
Lola chora,
chora quando vê maus-
tratos e injustiça.
Lola não é perfeita, parece uma
bexiga, qualquer espetada vai estourada.
Lola tem jeito?
Não gosta de madame mas gosta de respeito.
Lola agora tem alguém que a chama de lolita,
por ele daria a vida, a morte e a sobrevivência.
Lola tem sonhos impossíveis,
histórias mirabolantes.
Lola agora quer ter mais amigos,
continuar este amor juvenil.
Lola se despede em lágrimas termais.
Continuar?
Lola continuará.
posted by ariane batista at 30.6.06
HOJE
Não me sinto uma ave,
nem uma deusa ou
tenho o peito inflado.
Não me sinto, a diferença
adequada.
Sei do meu aperto na garganta,
a ira inviolada.
Pela vida frágil que
insiste,
sinto o cuidado.
sinto a seta.
Sou salva-vidas,
não da minha.
posted by ariane batista at 3.1.06
Navio navalha na água
posted by ariane batista at 19.12.05
Caí como uma rã no escuro do quarto mundo, muda.
posted by ariane batista at 8.12.05
Ria minha boca de serpente
Enredada em braços anônimos
legada espiã das almas
posted by ariane batista at 5.11.05
Água
que lava
Leva medo
Modifica
Água
que afoga
posted by ariane batista at 5.11.05
Cores tangentes, tons escarlates, vai de vinho, encontrar quem eu gosto PRA CARAMBA, rir, indignar-se de madrugada por motivos efêmeros.
E só quando o sol já estiver a um quarto depois do horizonte, caminhar talvez para casa, talvez para outro bar ou caminhar até que o tempo se desenrole então nos separamos sem perceber, para que eu consiga dormir e ele também.
posted by ariane batista at 1.11.05
Canção ao vento
Meu amásio vento, és verás e estás sempre atento.
Semelhante a formosia de quem, energicamente o deseja,
aflijo por motivos que só fazem enlouquecer.
É sarcasmo. Por isso vento, não queira ventar
ao passo em que achama tostar.
No meu ventre existe somente a flor prazerosa
A influência é a acumulação dos desejos,
absorção do destino.
Fantasiarei algo que muito o estima,
Ah vento, por que não me deste estas intenções,
preenchendo o que faltaria nos melhores momentos,
preenchendo com alegria, pássaros
arte e brilho, mas é a solidão quem guia os delírios.
posted by ariane batista at 30.10.05
A planta assexuada é sempre
uma lisura
Compulsiva nunca
*poema coletivo por Ariane, Cledison e Serginho.
posted by ariane batista at 21.10.05
feita com prazer
digna de abraços
agora isolada
Inerte
no escuro uma voz
desmanchando pedidos
perdidos na fé
coro porque existo só
posted by ariane batista at 17.10.05
Ornamentei o chão com
pétalas
Caminhei
sobre elas até a cama
Dormi sentindo o perfume
Róseo.
Parca vontade
saber
do amor cego
e ter-me
Sólida
na captura do eu.
posted by ariane batista at 14.10.05
O que sucede
Acabou-se o mistério
A cor da
corda no pescoço
desbota como
aço na orla, enferruja.
Acordes se
fragmentam de mim
O que sou ressoa,
Onde não estou ecoa.
Cabeça, tronco voando,
Perdôo os desmembros.
De promessas e proezas estou vivendo
Apunhalando cumprimentos das leis fatídicas...
Eu toda azul,
Os vermes,
E eu:
Vazia e transparente,
Plástico sensível.
posted by ariane batista at 11.10.05
Saliva no ar
estica
a fuga
posted by ariane batista at 9.10.05
Faço-me doce
férrea
Faço-me ônix
abrigo vidas
Faço-me doida
vistosa
Faço-me amada
coisa da terra.
posted by ariane batista at 7.10.05
POEMA CUBÍCULO
Pensei em dizer a verdade, mas vou mentir. Verdade é densa e perigosa. Mentira leve e amigável. Vaza pelo seu caminho indefinido definindo-o. O que interessa agora são os extremos. Nada de meio-termo. Oceano, para quem sabe navegar...
O suor liquida a poeira da estrada sob a pele e os carros passam, cheios de personagens apagados e também algumas crianças curiosas, como um dia na vida fomos.
Dedo erguido. Um carro azul metálico pára.
Está o sol entusiasmado. Estão os pássaros voando tontos, operários, boêmios, caminhoneiros, o movimento, a vida, sem metafísica, a vida batida , a vida repetida, a vida nova, está a alegria de toda a vida.
Viajar é para quem quer e não para quem pode.
Percorrendo indagações. O carro turbinado furava o espaço como se fosse o dono de tudo, do ar. Como tu te chamas? Pra onde vais? Qual tua nacionalidade? Queres saber quem eu sou, e para onde vou, não?
O carro veloz não tinha voz. Nem o dono ouvidos. Por que tanta solidariedade então?
Suas mãos eram grandes, dono de uns braços magros de ossos salientes, cadavérico. Às vezes segurava o volante com uma mão e a outra atravessava para fora da janela submetendo-a à pressão do vento.
Estamos no século XXI, carros conversíveis são comuns, abriu o dele. Automóvel leve, voava. Tinha um rádio super atual, DVD, nem sei explicar, muitas coisas, como nunca vi. Potente. Moderno. Último modelo. Zero.
Cheguei, obrigada gentleman!
Adeeeeeus. Vruum! Mãos abanam, abandonam-se, agradecidas.
Embriagados de si, saíram cantando, bebendo água da chuva, comendo coisas cruas, dormindo cobertos de estrelas, serenos e inacreditáveis. Seres elementares. Embrionários.
Mentira tem perna curta quando somos coerentes, mas se deixar ela persuade os dias reais chatos assim como este, sem gripe só embroma da imaginação. Bah!
posted by ariane batista at 6.10.05
Extreme Day
Uns minutos para abrir a porta
Deixar o vento entrar, circular e sair
Ir a outros lugares.
Uns minutos também de sufoco.
Agarro-me com os olhos no espelho
na rua, nos olhos alheios,
o som denso do dia me separa,
abandono risos e prantos meus e dos outros.
Sem questões não existo,
Tampouco lembro o que queria perguntar...
Cada cabeça roda um moinho que surpreende a incompreensão das coisas!
posted by ariane batista at 5.10.05
Poema para mais uma noite
Mordes os lábios
Percebes,
o sol enfraquecendo,
as nuvens num batalhão
e tu já tens os cabelos brancos.
Lave o rosto, as mãos.
Tua voz, teu espírito
acendem roucos
as lembranças
das noites boas.
posted by ariane batista at 4.10.05
INFLA
AMÁVEL
VÉU
posted by ariane batista at 3.10.05
Noctívagos
Alta porcentagem alcoólica
uma mágica moderna?
Admiram-se as
bocas
ocas e acústicas
Alívio sonoro secular
das tantas palavras
Atravessaram meus domínios.
Ora tão mágico,
ora tão trágico.
Fato ligeiro.
O que ocorreu sob o céu
da nova?
Ideal atingido.
posted by ariane batista at 2.10.05
Formosa Azaléia
Numerosas faíscas no espaço
Abrigo de átomos disponíveis.
Indiscretos rebentos
para secretos talentos.
No jardim os teus passos e
no quarto minha pulsação.
Prefiro não olhar mais
num momento sem movimento
ouço-o entrar.
Tem o rosto rosado
meios que são ondas sopradas
contra o ventre
Envolvente coragem aceitar a flor.
posted by ariane batista at 30.9.05
Revisão de duas faces incontidas
Entrecortadas na sombra como no arfar
da voz querida
Autênticas cútis sob o luar.
Dos passos na areia a trilha irregular
Por vezes larga, estreita
Mas incógnita.
Se nem nadar é como quero
Nego meu lar, nego a luz.
Elevo-me inquieta, contrária à cruz!
Nesta visão aérea,
qual sentido está a bel-prazer?
Meia vida fluída, outra dose gerada.
posted by ariane batista at 29.9.05
Têmpora
Reconfortada na penumbra
Entre quatro paredes
Medito.
Decido um rumo.
Mas muitas vezes, ando
na corda bamba,
provo incertezas
então me sacio.
posted by ariane batista at 28.9.05
Odeio o amor mas não amo o ódio.
posted by ariane batista at 27.9.05
Verso em aversão
Converso
Avessa
Com os dedos das mãos
Me despeço
No verso
posted by ariane batista at 26.9.05
Adrenalina
Para dizer que já vôou
pulou
Para parecer triste
cortou
Para dizer não
escondeu
Para dizer que naufragou
mergulhou
Para fingir
alegrou
posted by ariane batista at 25.9.05
Precisas preces
Não és o único a suspirar louvores a Deus
Nem a gritar:
O que foi que aconteceu!
O show inicia!
Aurora traz alegria!
Vamos dançar esta canção?
posted by ariane batista at 23.9.05
Hoje eu não te vi, e o dia acabou assim:
sem graça,
sem ritmo,
sem título.
O dia acabou e eu não o percebi!
Partilharam em silêncio
Meu grito baixinho,
Meu escândalo solitário.
Vou lembrar de hoje, como
Os dias em que não te conhecia
posted by ariane batista at 19.9.05
O cão procura o dono
O dono procura o cão
O cão observa o dono
O dono não enxerga o cão
posted by ariane batista at 15.9.05
Ampulheta
Olhando para quem fica que olha para quem passa,
Recomeço rasgando o passado para aliviar os passos.
Passado que não passa, futuro que não chega.
Fui dormir e o computador ligou sozinho,
Mouse e imagens moviam-se na escuridão da sala.
Entrei em silêncio,
nessa noite fui fantasma do fantasma.
Outra noite ele jogou água fria na minha testa
No peito, impedindo-me de romper seu celibato.
O que acontece comigo acontece a você
Peregrinação dos ovários.
Há também dejetos mentais a serem analisados,
sou uma pessoa curvada pela cultura
me perdoe a deselegância.
Mamãe! Meu lado grosseiro expandiu!
Sou macaco, homem das cavernas,
Materialista e imbecil!
Acordo
Recordo e
discordo continuar meus sonhos
descontados da realidade.
posted by ariane batista at 14.9.05
Em defesa da noite
Os dias encerram-se numa clareza e exatidão...
A noite propicia.
Criaturas rebelam-se em novas linguagens capazes de ascensão, encontram-se em tramas corpóreas rítmicas, associam energia, infinidade e curiosidades epiderme-existencial.
Pode ser que dominem o sono.
Pode ser que se entreguem, embora sejam companheiras de soslaio da elucidação.
Pode ser que compenetradas em suas alucinações anteparem-se.
Falta aos seus ouvidos declamar palavras de ouro
Diluir perfumes que estão na imaginação, fazer reverberar seus sentidos.
Devolver a noite sua persona, sinalizando a inconsequência do predador que teme a manhã.
posted by ariane batista at 13.9.05
Consuelo
Enoja-te da tua conveniência
dama raivosa.
Sabes que sobre tua mediocridade,
Abafas o sentido da vida.
Tuas razões tua destruição.
No teu semblante, nenhum perfume se reconhece,
Escudo impenetrável!
Paira sobre ti, monótona dama,
teus erros, pesos reservados à perfeição.
Deixe de desperdício e retorne a vida
Pois condenar a embriaguez da beleza
é esconder a nudez da alma.
posted by ariane batista at 12.9.05
Delírio Roído
Tranquila diante do mar,
vejo caindo polígonos metálicos.
Aproximo-te,
Estou mais cáustica,
Lesma ensaiando no caminho individual.
Repito-te,
Em cada fibra amedrontada,
Tenho assim em mim teu esquecimento.
Miro-te,
Vomito palavras aliadas da iniquidade
Suicida em todas as horas
É pesadelo onde gostaria de estar e
Nada mais sincero há.
posted by ariane batista at 11.9.05
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